Sons da Escrita 082

29 de Setembro de 2006

Primeiro programa do ciclo Ana Luar

Compasso a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da escrita.

Quando um homem interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens entre o quase tudo e o quase nada.

Então, da raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no silêncio dos sons da escrita.

Sons da Escrita – à volta de uma ideia de José-António Moreira.


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Ana Luar

É para ti que falo! (Ana Luar)

Quantas vezes desfaço os meus versos
Na imensidão dos meus desenganos…
Onde o sal das minhas lágrimas
Se dissolve na tristeza do esquecimento

Hoje escrevo…
Não falo…
Não digo nada.

Nem da beleza das coisas
Ou das palavras…
Nem dos sonhos inacabados…

Pois é no teu silêncio
Que me inebrio de paixão
E, afincadamente, me agarro à vida.
É para ti que falo!


Talking in my sleep (Christopher Cross) 

Talking in my sleep
She ain't gonna hear it
So my secrets have to keep
A little while longer
In my heart where they've been
For so long I can't remember

Days turn into weeks
Still she's not with me
Still my secrets have to keep
A little while longer
In my heart where they've been
For so long I can't remember

And I know that I'm just gonna be
Another page in love's history
Another page in your diary
In that old book of love

Love can cut you deep
It's there to remind you
And the memories make you weak
They whisper to you
From your heart where they've been
For so long you can't remember

Wake up
Reach for her
She's not there
All I do is dream
Dream that she will come home soon
To me

Ana Luar

Ecos da alma (Ana Luar)

Conheces-me!
Sabes que existe em mim,
Uma ternura desmedida pelas palavras.
Talvez por isso, eu oculte as palavras que ficam por dizer!

Se ao menos soubesses tudo o que eu não disse…
Sufocarias o coração com todos os meus segredos;
Segredos que foram meus…
Poderiam ter sido teus… Nossos!

Envolta em solidão,
Entrego, nos braços do tempo,
Segredos que confiei ao vento.
Chamo-lhes Ecos da Alma…
Pois é assim que eles chegam até mim…
Como ecos que pairam sobre o abismo do que um dia fomos.


God only knows (Justin Hayward)

I may not always love you
But long as there are stars above you
You never need to doubt it
I'll make you so sure about it

God only knows what I'd be without you

If you should ever leave me
Though life would still go on believe me
The world could show nothing to me
So what good would living do me?

God only knows what I'd be without you
God only knows what I'd be without you

If you should ever leave me
Well life would still go on believe me
The world could show nothing to me
So what good would living do me?

God only knows what I'd be without you
God only knows what I'd be without you


Ana Luar

Escuta-me!!! (Ana Luar)

Não me condenes… pelo que eu não disse…
Escuta por favor, estas palavras amarradas a mim.
Escuta-me!!!

Devolvo-te o eco da palavra…
Num estado entorpecido,
Entre o dito e o esquecido…
Sôfrega, deixo correr a pena.
Desnudar-me no branco de uma página usada…
Tranquila, suave e morna.

Fico quieta…
Deixo que a pena rasgue o silêncio
E sem um som que se faça sentir. Falo palavras;
Palavras que te entrego em confissão…
Não leias…
Por favor… escuta-me!!!


You know what I mean (Phil Collins)

Just as I thought I'd make it
You walk back into my life
Just like you never left 

Just as I'd learned to be lonely
You call up to tell me
You're not sure if you're ready
But ready or not, you'll take what you've got and leave 

Leave me alone with my heart
I'm putting the pieces back together again
Just leave, leave me alone with my dreams
I can do without you, know what I mean... 

I wish I could write a love song,
To show you the way I feel
Seems you don't like to listen
Oh but like it or not, take what you've got and leave 

Leave me alone with my heart
It's broken in two and I'm not thinking too straight
Just leave, leave me alone with my dreams
You've taken everything else, you know what I mean


É neste mundo de palavras minhas
Que alinho versos completamente inéditos
Onde vírgulas risonhas, se vergam ao correr da pena.
E neste novo vocábulo não instituo qualquer ordem…
Deixo que as frases dancem soltas… em caladas dissonâncias
As rimas nem sempre acasalam em perfeita harmonia.
E desta forma enfeitada, vou repetindo vezes sem conta
Mansamente… e bem devagar…
O quanto a palavra me seduz!


Música:

Genérico
Davy Spillane (abertura e fecho), Beatles (Fecho)

Fundos
Vangelis Papathanasious

Ligações
Christopher Cross, Justin Hayward, Phil Collins

Textos:
Ana Luar

Edição e voz:
José-António Moreira


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And in the end

the love you'll take

is equal to the love you make

© José-António Moreira 2012