Sons da Escrita 171

9 de Maio de 2008

Primeiro programa do ciclo Carlos Corga

Compasso a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da escrita.

Quando um homem interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens entre o quase tudo e o quase nada.

Então, da raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no silêncio dos sons da escrita.

Sons da Escrita – à volta de uma ideia de José-António Moreira.


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Carlos Corga

Hoje venho falar-te do tempo (Carlos Corga)

hoje venho falar-te do tempo
não, não é do tempo que faz
não é do sol ou da chuva do vento ou do frio
hoje venho falar-te do tempo que passa.
sim, do tempo de ontem
que é já hoje e logo e amanhã.
daquele tempo que finge mais do que o poeta
porque finge que não passa
mas afinal sempre passa
do tempo que traz a marca de cada um de nós
que está em todas as coisas
do tempo que é a máscara de todos os sonhos
que é o poeta de cada momento
que já foi menino
que brincou pulou correu
e num instante é o nada
hoje venho falar-te do tempo
para dizer que não olhes para trás
porque esse tempo passou
que tens de olhar para a frente
e viver o momento do tempo que é teu


Time (Alan Parsons Project)

Time
Flowing like a river
Time
Beckoning me
Who knows when we shall meet again
If ever
But time
Keeps flowing like a river
To the sea

Goodbye my love
Maybe for forever
Goodbye my love
The tide waits for me
Who knows when we shall meet again
If ever
But time
Keeps flowing like a river (on and on)
To the sea, to the sea

Till it's gone forever
Gone forever
Gone forevermore

Goodbye my friends (goodbye my love)
Maybe for forever
Goodbye my friends (who knows when we shall meet again)
The stars wait for me
Who knows when we shall meet again
If ever
But time
Keeps flowing like a river (on and on)
To the sea, to the sea

Till it's gone forever
Gone forever
Gone forevermore

Forevermore
Forevermore


Carlos Corga

Há sempre um momento (Carlos Corga)

há sempre um momento
no tempo
que nos pertence
o sono
vem de mansinho e abandona-nos
no aconchego da eternidade.


Eternity road (Moody Blues)

Hark listen here he comes
Hark listen here he comes
Turning, spinning, catherine wheeling
For ever changing
There's no beginning
Speeding through a charcoal sky
Observe the truth we cannot lie

Travelling eternity road
What will you find there?
Carrying your heavy load
Searching to find a peace of mind.

You'll see us all around
You'll see us all around
Turning, spinning, catherine wheeling
For ever changing
There's no beginning
You're so very far from home
And so very much alone

Travelling eternity road
What will you find there?
Carrying your heavy load
Searching to find a peace of mind.

Travelling eternity road
What will you find there?
Carrying your heavy load
Searching to find a peace of mind.


Carlos Corga

A noite acontece (Carlos Corga)

a noite acontece
e docemente a penumbra
afaga os rostos cansados
ao longe
o ponto de luz
ganha a dimensão do desejo


 

A heart's desire (Camel)

The light is fading
The cause invading
All the hopes that you were building
On tomorrow
Now you must go.

So stretch your wings,
As nature sings
Her farewell lullabye to soothe you
Through the changes
When you must go.

The gift is knowing
Your strength in going
When the time has gone beyond
Your heart's desire,
And you must go.


já não choras
as lágrimas presas nos olhos
quietos
abertos
no espanto da morte


Música:

Genérico
Davy Spillane (abertura e fecho), Beatles (Fecho)

Fundos
Russ Dean

Ligações
Alan Parsons Project, Camel

Textos:
Carlos Corga

Edição e voz:
José-António Moreira


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And in the end

the love you'll take

is equal to the love you make

© José-António Moreira 2012