Sons da Escrita 106

30 de Março de 2007

Primeiro programa do ciclo Daniel Filipe

Compasso a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da escrita.

Quando um homem interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens entre o quase tudo e o quase nada.

Então, da raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no silêncio dos sons da escrita.

Sons da Escrita – à volta de uma ideia de José-António Moreira.


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Daniel Filipe

A invenção do amor (1) (Daniel Filipe)

Em todas as esquinas da cidade, nas paredes dos bares, à porta dos edifícios públicos, nas janelas dos autocarros, mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes, na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém, no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da nossa esperança de fuga, um cartaz denuncia o nosso amor.
Em letras enormes, do tamanho do medo, da solidão, da angústia, um cartaz denuncia que um homem e uma mulher se encontraram num bar de hotel, numa tarde de chuva, entre zunidos de conversa, e inventaram o amor com carácter de urgência, deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia quotidiana.
Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e fome de ternura e souberam entender-se sem palavras inúteis. Apenas o silêncio. A descoberta. A estranheza de um sorriso natural e inesperado.
Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna. Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente, embora, subterrâneamente, unidos pela invenção conjunta de um amor subitamente imperativo.

Um homem, uma mulher, um cartaz de denúncia colado em todas as esquinas da cidade.
A rádio já falou. A TV denuncia iminente a captura. A polícia de costumes, avisada, procura os dois amantes nos becos e avenidas. Onde houver uma flor rubra e essencial é possível que se escondam, tremendo a cada batida na porta fechada para o mundo.
É preciso encontrá-los antes que seja tarde! Antes que o exemplo frutifique. Antes que a invenção do amor se processe em cadeia!
Há pesadas sanções paras os que auxiliarem os fugitivos
Chamem as tropas aquarteladas na província, convoquem os reservistas, os bombeiros, os elementos da defesa passiva. Todos!
Decrete-se a lei marcial com todas as suas consequências! O perigo justifica-o!
Um homem e uma mulher conheceram-se, amaram-se, perderam-se no labirinto da cidade!
É indispensável encontrá-los, dominá-los, convencê-los, antes que seja demasiado tarde e a memória da infância nos jardins escondidos acorde a tolerância no coração das pessoas.


Grande Hotel (Procol Harum) 

Tonight we sleep on silken sheets
We drink fine wine and eat rare meats
On Carousel and gambling stake
Our fortunes speed, and dissipate.
It's candlelight and chandelier,
It's silver plate and crystal clear.
The nights we stay at Hotel Grand

Tonight we dine at Hotel Ritz.
(A golden dish with every wish ).
It's mirrored walls, and velvet drapes,
Dry champagne, and bursting grapes.
Dover sole, and Oeufs Mornay,
Profiteroles and Peach Flambe,
The waiters dance on fingertips
The nights we dine at Hotel Ritz 

One more toast to greet the morn
The wine and dine have danced till dawn
Where's my Continental Bride?
We'll Continental slip and slide
Early morning pinch and bite -
(These French girls always like to fight)
It's serenade and Sarabande,
The nights we stay at Hotel Grand
Les nuits qu'on passe à l'Hotel Grande.


Daniel Filipe

A invenção do amor (2) (Daniel Filipe)

Fechem as escolas! Sobretudo protejam as crianças da contaminação!
Uma agência comunica que algures, ao sul do rio, um menino pediu uma rosa vermelha e chorou nervosamente porque lha recusaram! Segundo o director da sua escola é um pequeno triste, inexplicavelmente dado aos longos silêncios e aos choros sem razão; aplicado, no entanto, respeitador da disciplina!
Um caso típico de inadaptação congénita, disseram os psicólogos! Ainda bem que se revelou a tempo
Vai ser internado e submetido a um tratamento especial de recuperação.
Mas é possível que haja outros. É absolutamente vital que o diagnóstico se faça no período primário da doença. E também que se evite o contágio com o homem e a mulher de que se fala no cartaz colado em todas as esquinas da cidade.

Está em jogo o destino da civilização que construímos, o destino das máquinas, das bombas de hidrogénio, das normas de discriminação racial, o futuro da estrutura industrial de que nos orgulhamos, a verdade incontroversa das declarações políticas.
Procurem os guardas dos antigos universos concentracionários. Precisamos da sua experiência onde quer que se escondam ao temor do castigo.
Que todos estejam a postos. Vigilância é a palavra de ordem. Atenção ao homem e à mulher de que se fala nos cartazes. À mais ligeira dúvida não hesitem denunciem. Telefonem à policia, ao comissariado, ao Governo Civil. Não precisam de dar o nome e a morada e garante-se que nenhuma perseguição será movida, nos casos em que a denúncia venha a verificar-se falsa.
Organizem em cada bairro, em cada rua, em cada prédio, comissões de vigilância. Está em jogo a cidade, o país, a civilização do ocidente. Esse homem e essa mulher têm de ser presos, mesmo que para isso tenhamos de recorrer às medidas mais drásticas!
Por decisão governamental, estão suspensas as liberdades individuais, a inviolabilidade do domicílio, o habeas corpus, o sigilo da correspondência!
Em qualquer parte da cidade um homem e uma mulher amam-se, ilegalmente, espreitam a rua pelo intervalo das persianas, beijam-se, soluçam baixo e enfrentam a hostilidade nocturna.
É preciso encontrá-los. É indispensável descobri-los.
Escutem cuidadosamente a todas as portas antes de bater. É possível que cantem, mas defendam-se de entender a sua voz!
Alguém que os escutou deixou cair as armas e mergulhou nas mãos o rosto banhado de lágrimas e, quando foi interrogado em Tribunal de Guerra, respondeu que a voz e as palavras o faziam feliz, lhe lembravam a infância, campos verdes floridos, água simples correndo, a brisa nas montanhas.
Foi condenado à morte, é evidente. É preciso evitar um mal maior. Mas caminhou cantando para o muro da execução. Foi necessário amordaçá-lo e, mesmo assim, desprendia-se dele um misterioso halo de uma felicidade incorrupta.


All the world loves lovers (Prefab Sprout)

All the world loves lovers.
All the world loves people in love
Don't forget it. Don't forget it.
Love whatever the price
All the world loves lovers.
All the world loves people in love
Don't forget it. - LOVE
Love whatever the price ... LOVE
You and I won't lose our heads the way some lovers do
Saying "This will last forever" when it's just a year or two
You and I won't be the fools that other lovers are
Thinking every silver bottle top potentially a star still
All the world loves lovers.
All the world loves people in love
Don't forget it. - LOVE
Love whatever the price
All the world loves lovers.
All the world loves people in love
Don't forget it. - LOVE
Love whatever the price
We won't make the promises that every lover makes
Only to find that all we've made are similar mistakes
No you and I won't wish for things
Like other lovers do
But let's cross our hearts and hope to die
If none of them come true 'cause
All the world loves lovers.
All the world loves people in love
Don't forget it. - LOVE
Love whatever the price
All the world loves lovers.
All the world loves people in love
Don't forget it. - LOVE
Don't forget it. - LOVE
Love whatever the price
All the world loves lovers.
Love whatever the price.
All the world loves lovers. Love whatever the price.
All the world loves lovers ... LOVE.


Daniel Filipe

A invenção do amor (3) (Daniel Filipe)

Impõe-se sistematizar as buscas. Não vale a pena procurá-los nos campos de futebol, no silêncio das igrejas, nas boites com orquestra privativa. Não estarão nunca aí.
Procurem-nos nas ruas suburbanas onde nada acontece. A identificação é fácil – onde estiverem, estará também, pousado sobre a porta um pássaro desconhecido e admirável ou florirá na soleira a mancha vegetal de uma flor luminosa.
Será então aí! Engatilhem as armas, invadam a casa, disparem, à queima roupa, um tiro no coração de cada um.
Vê-los-ão, possivelmente, dissolver-se no ar. Mas estará completo o esconjuro e podereis voltar alegremente para junto dos filhos e da mulher.
Mais ai de vós se sentirdes de súbito o desejo de deixar correr o pranto. Quer dizer que fostes contagiados, que estais também perdidos para nós.
É preciso nesse caso ter coragem para desfechar na fronte o tiro indispensável. Não há outra saída. A cidade o exige.
Se um homem de repente interromper as pesquisas e perguntar quem é e o que faz ali de armas na mão, já sabeis o que tendes a fazer: matai-o. Amigo, irmão que seja, matai-o. Mesmo que tenha comido à vossa mesa e crescido a vosso lado, matai-o. Talvez que ao enquadrá-lo na mira da espingarda, os seus olhos vos fitem com sobre-humana náusea e deslizem depois numa tristeza líquida até ao fim da noite. Evitai o apelo, a prece derradeira – um só golpe mortal, misericordioso, basta para impor o silêncio secreto e inviolável.
Procurem a mulher e o homem que num bar de hotel se encontraram numa tarde de chuva
Se tanto for preciso estabeleçam barricadas, senhas, salvo-condutos, horas de recolher, censura prévia à Imprensa, tribunais de excepção. Para bem da cidade, do país, da cultura é preciso encontrar o casal fugitivo que inventou o amor com carácter de urgência.

Os jornais da manhã publicam a notícia de que os viram passar de mãos dadas, sorrindo, numa rua serena debruada de acácias. Um velho sem família, a testemunha, diz ter sentido de súbito uma estranha paz interior, uma voz desprendendo um cheiro a primavera, o doce bafo quente da adolescência longínqua.
No inquérit, oficial, atónito, afirmou que o homem e a mulher tinham estrelas na fronte e caminhavam envoltos numa cortina de música com gestos naturais alheios. Crê-se que a situação vai atingir o climax e a polícia poderá cumprir o seu dever.
Um homem, uma mulher, um cartaz de denúncia!
A voz do locutor definitiva, nítida!
Manchetes cor de sangue no rosto dos jornais:
É PRECISO ENCONTRÁ-LOS, ANTES QUE SEJA TARDE!


Hotel California (Eagles)

On a dark desert highway, / Cool wind in my hair,
Warm smell of "colitas" / Rising up through the air,
Up ahead in the distance / I saw a shimmering light,
My head grew heavy and my sight grew dim, / I had to stop for the night.

There she stood in the doorway, / I heard the mission bell
And I was thinkin' to myself: / "This could be heaven and this could be hell"
Then she lit up a candle, / And she showed me the way,
There were voices down the corridor, / I thought I heard them say

Welcome to the Hotel California,
Such a lovely place, (Such a lovely place) Such a lovely face
Plenty of room at the Hotel California,
Any time of year, (Any time of year) You can find it here

Her mind is Tiffany-twisted, / She got the Mercedes Benz,
She got a lot of pretty, pretty boys / she calls friends
How they dance in the courtyard, / Sweet summer sweat
Some dance to remember, / Some dance to forget

So I called up the Captain / "Please bring me my wine"
He said, "We haven't had that spirit here / Since nineteen sixty-nine"
And still those voices are calling from far away, / Just to hear them say:

Welcome to the Hotel California,
Such a lovely place, (Such a lovely place) Such a lovely face
They're livin' it up at the Hotel California,
What a nice surprise, (What a nice surprise) Bring your alibis

Mirrors on the ceiling, / The pink champagne on ice, and she said:
"We are all just prisoners here, / Of our own device"
And in the master's chambers / They gathered for the feast,
They stabbed it with their steely knives, / But they just can't kill the beast

Last thing I remember, I was running for the door,
I had to find the passage back to the place I was before,
"Relax," said the night man, "We are programmed to receive,
You can check out anytime you like... but you can never leave"


Daniel Filipe

A invenção do amor (4) (Daniel Filipe)

Já não basta o silêncio, a espera conivente, o medo inexplicado, a vida igual a sempre, conversas de negócios, esperanças de emprego, contrabando de drogas, aluguer de automóveis. Já não basta ficar frente ao copo vazio no café povoado ou marinheiro em terra a afogar a distância no corpo sem mistério da prostituta anónima!
Algures, no labirinto da cidade, um homem e uma mulher amam-se, espreitam a rua pelo intervalo das persianas, constroem com urgência um universo do amor.
E é preciso encontrá-los. E é preciso encontrá-los.
Importa perguntar em que rua se escondem, em que lugar oculto permanecem, resistem, sonham meses futuros, continentes à espera. Em que sombra se apagam, em que suave e cúmplice abrigo fraternal deixam correr o tempo, de sentidos cerrados ao estrépito das armas. Que mãos desconhecidas apertam as suas no silêncio pressago da cidade inimiga.
Onde quer que desfraldem o cântico sereno, rasgam densos limites entre o dia e a noite.
E é preciso ir mais longe: destruir para sempre o pecado da infância, erguer muros de prisão em círculos fechados, impor a violência, a tirania, o ódio.
No entanto, das esquinas escorre, em letras enormes, a denúncia total do homem, da mulher, que no bar em penumbra, numa tarde de chuva, inventaram o amor com carácter de urgência.

COMUNICADO GOVERNAMENTAL À IMPRENSA
Por diversas razões sabe-se que não deixaram a cidade. O nosso sistema policial é óptimo. Estão vigiadas todas as saídas, encerrámos o aeroporto, patrulhamos os cais. Há inspectores disfarçados em todas as gares de caminhos de ferro.
É na cidade que é preciso procurá-los, incansavelmente, sem desfalecimentos. Uma tarefa para um milhão de habitantes. Todos são necessários, todos são necessários!
Não se preocupem com os gastos: a Assembleia votou um crédito especial e o ministro das Finanças tem já prontas as bases de um novo imposto de Salvação Pública.
Depois das seis da tarde é proibido circular!
Avisa-se a população de que as forças da ordem atirarão sem prevenir sobre quem quer que seja depois daquela hora. Esta madrugada, por exemplo, uma patrulha da Guarda matou, no Cais da Areia, um marinheiro grego que regressava ao seu navio.
Quando chegaram junto dele, acenou aos soldados, disse qualquer coisa em voz baixa, fechou os olhos e morreu!
Tinha trinta anos e uma família à espera numa aldeia do Peloponeso. O cônsul tomou conhecimento da ocorrência e aceitou as desculpas do Governo pelo engano cometido. Afinal tratava-se apenas de um marinheiro qualquer.
Todos compreenderam que não era caso para um protesto diplomático e depois, o homem e a mulher que a polícia procura representam um perigo para nós e para a Grécia, para todos os países do hemisfério ocidental.
Valem bem o sacrifício de um marinheiro anónimo que regressava ao seu navio depois da hora estabelecida, sujo insignificante e, porventura, bêbado.
SEGUE-SE UM PROGRAMA DE MÚSICA DE DANÇA.


Cause we've ended as lovers (Eric Clapton & Jeff Beck)

(instrumental)


Daniel Filipe

A invenção do amor (5) (Daniel Filipe)

Divirtam-se, atordoem-se, mas não esqueçam o homem e a mulher escondidos em qualquer parte da cidade.
Repete-se: é indispensável encontrá-los!
Um grupo de cidadãos de relevo ofereceu uma importante recompensa destinada a quem prestar informações que levem à captura do casal fugitivo.
Apela-se para o civismo de todos os habitantes.
A questão está posta! É preciso resolvê-la para que a vida reentre na normalidade habitual!
Investigámos nos arquivos! Nada consta!

Era um homem como qualquer outro, com um emprego de trinta e oito horas semanais, cinema aos sábados à noite, domingos sem programa e gosto pelos livros de ficção científica.
Os vizinhos nunca notaram nada de especial: vinha cedo para casa, não tinha televisão, deitava-se sobre a cama logo após o jantar e adormecia sem esforço.
Não voltou ao emprego! O quarto está fechado. Deixou a meio as «Crónicas marcianas». Perdeu-se precipitadamente no labirinto da cidade à saída do hotel, numa tarde de chuva.

O pouco que se sabe da mulher autoriza-nos a crer que se trata de uma rapariga, até aqui, vulgar.
Nenhum sinal característico, nenhum hábito digno de nota. Gostava de gatos, dizem.Mas, mesmo isso, não é certo.
Trabalhava numa fábrica de têxteis, como secretária da gerência, era bem paga e tinha semana inglesa. Passava as férias na Costa da Caparica.
Ninguém lhe conhecia uma aventura.
Em quatro anos de emprego, só faltou uma vez quando o pai sofreu um colapso cardíaco.
Não pedia empréstimos na Caixa. Usava saia e blusa e um impermeável vermelho, no dia em que desapareceu.
Esperam por ela, em casa, duas cartas de amigas, o último número de uma revista de modas, a boneca espanhola que lhe deram aos sete anos.

Ficou provado que não se conheciam.
Encontraram-se ocasionalmente num bar de hotel, numa tarde de chuva, sorriram, inventaram o amor com carácter de urgência, mergulharam, cantando, no coração da cidade.
Importa descobri-los onde quer que se escondam, antes que seja demasiado tarde e o amor, como um rio, inunde as alamedas, praças, becos, calçadas, quebrando as esquinas.
Já não podem escapar. Foi tudo calculado com rigores matemáticos. Estabeleceu-se o cerco. A polícia e o exército estão a postos. Prevê-se para breve a captura do casal fugitivo.

(Mas um grito de esperança inconsequente vem do fundo da noite envolver a cidade: au bout du chagrin, une fenêtre ouverte, une fenêtre eclairée!)


JacquesBrel.jpg

La chanson des vieux amants (Jacques Brel)

Bien sûr, nous eûmes des orages
Vingt ans d'amour, c'est l'amour fol
Mille fois tu pris ton bagage
Mille fois je pris mon envol
Et chaque meuble se souvient
Dans cette chambre sans berceau
Des éclats des vieilles tempêtes
Plus rien ne ressemblait à rien
Tu avais perdu le goût de l'eau
Et moi celui de la conquête

Mais mon amour
Mon doux mon tendre mon merveilleux amour
De l'aube claire jusqu'à la fin du jour
Je t'aime encore tu sais je t'aime

Moi, je sais tous tes sortilèges
Tu sais tous mes envoûtements
Tu m'as gardé de pièges en pièges
Je t'ai perdue de temps en temps
Bien sûr tu pris quelques amants
Il fallait bien passer le temps
Il faut bien que le corps exulte
Finalement finalement
Il nous fallut bien du talent
Pour être vieux sans être adultes

Et plus le temps nous fait cortège
Et plus le temps nous fait tourment
Mais n'est-ce pas le pire piège
Que vivre en paix pour des amants
Bien sûr tu pleures un peu moins tôt
Je me déchire un peu plus tard
Nous protégeons moins nos mystères
On laisse moins faire le hasard
On se méfie du fil de l'eau
Mais c'est toujours la tendre guerre.


Que importa a vã ternura das horas magoadas,
se ao meu redor perdura o eco das passadas?

Que importa a solidão e o não saber onde ir,
se tudo, ao coração, nos fala de partir?


Música:

Genérico
Davy Spillane (abertura e fecho), Beatles (Fecho)

Fundos
Klaus Schulze

Ligações
Procol Harum, Prefab Sprout, Eagles, Eric Clapton & Jeff Beck, Jacques Brel

Textos:
Daniel Filipe

Edição e voz:
José-António Moreira


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And in the end

the love you'll take

is equal to the love you make

© José-António Moreira 2012