Sons da Escrita 157

15 de Fevereiro de 2008

Primeiro programa do ciclo João Camilo

Compasso a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da escrita.

Quando um homem interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens entre o quase tudo e o quase nada.

Então, da raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no silêncio dos sons da escrita.

Sons da Escrita – à volta de uma ideia de José-António Moreira.


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João Camilo

Retrato breve de J. B. — excerto.1 (João Camilo)

Só gostam de mim aqueles que não me conhecem. Julgam conhecer-me e dizem: gosto de ti. Mas porque eu sei que não me conhecem, eu sei que não gostam de mim. Aquilo ou aquele de que gostam não sou eu, não terá sequer nada a ver comigo esse de que dizem gosto. Eu mesmo já disse um dia que um corpo (e entenda-se aqui corpo num sentido amplo, não num sentido puramente físico) é espaço demasiado para conhecer. Do que deverá concluir-se que nem eu me conheço. Sei de mim coisas diferentes em tempos diferentes, existo talvez de modos tão diversos que em relação a mim são despropositadas as ideias que eu mesmo de mim vou fazendo — as ideias que faço daquilo ou daquele que vive em mim e eu tentei parar mas que se esvai, me foge, talvez porque é constante mudança, talvez porque não sou verdadeiramente mais do que movimento. E sendo certo isto, como me parece que é, como poderia não ser certo que só gostam de mim aqueles que não me conhecem ou, se se prefere, que aqueles que gostam de mim não gostam verdadeiramente de mim ou, ainda, que não é de mim verdadeiramente que gostam? E não digo nem disse que gostariam de mim se me conhecessem — é possível ou improvável, muito pouco ou nada, não sei, não importa, não se pode saber.

Mais fácil será falar daqueles que não gostam de mim. Não de todos, seria absurdo, não conheço todas as pessoas que não gostam de mim e raramente mesmo nos será possível saber de todas as pessoas que andam à nossa volta quais as que nos detestam e porquê. Que vos diria por exemplo das pessoas encontradas num autocarro, à entrada do cinema, num urinol, nas igrejas, e que logo no rosto se lhes lê a antipatia que sentem por nós, por termos esta cara estes olhos esta camisa este fato cinzento ou talvez apenas porque as meias que calçamos e que ficaram visíveis quando subíamos as escadas têm as cores que eles sempre detestaram, ou com as quais naquele momento eles embirraram, ou simplesmente porque essas cores estão combinadas de uma maneira que não lhes agradou, ou ainda porque fumamos a mesma marca de cigarro que eles? Desses creio que não poderia falar-vos, disse já tudo ou quase tudo sobre eles, não saberia que mais dizer-vos ainda que o quisesse. É de outros que quero falar, e falarei segundo a minha inspiração, a minha memória, com as palavras que puder escrever. Devo porém referir que quando penso em pessoas que não gostam de mim penso especialmente naqueles que alguma vez me deram a impressão de gostar ou de vir a gostar e que depois partiram, não sem ter dito não gosto de ti, não sem dizer já gostei de ti agora não gosto — ou sim, sem dizer, partindo apenas, indo, fugindo, desaparecendo às esquinas dos corredores, para dentro dos cafés, mudando para o outro lado da rua ou baixando só os olhos. É desses que creio que vou falar-vos. Porque como possibilidades que foram de alguma coisa não deixaram nunca de interessar-me, não desapareceram nunca totalmente de mim.


When you get to know me better (Prefab Sprout)

I can tell you'd like to love me,
But you haven't known me long
And you don't yet know the ways I'll find
To hurt and do you wrong
I'm a man with one small weakness,
Any woman in a dress
When you get to know me better
You'll learn to love me less

Tonight if I'm your angel
And I've flown before you wake
Well it's just that I would hate to let you see my wings are fake
Tonight if I'm your angel
One that God forgot to bless
When you get to know me better
You'll learn to love me less

If I sing you, 'Love me Tender'
In a way that you believe
Remember that I'll mean it
Till the moment that I leave

What I have to tell you,
I know in time you'll guess
When you get to know me better
You'll learn to love me less
When you get to know me better
You'll learn to love me less


João Camilo

Retrato breve de J. B. — excerto.2 (João Camilo)

E se eu não tivesse para contar-vos tempo nenhum, história nenhuma? Se a tivesse esquecido ou se quando vos disse que tinha para dizer-vos um tempo meu antigo tivesse esquecido que o não tinha? Todavia, chegado aqui, nada me impediria de escrever, desenvolvendo aquela ideia: A memória não me ajuda, não sei que caminhos procurar ou que veias em mim abrir para que regresse o sonho e só, muito bem aqui só, esperarei falando pelo tempo que para vós inventar quero ou reinventar. No entanto é certo que está feita a minha história daquele tempo e que um estímulo apenas neste momento se torna urgente, porque urgente é para mim o dizer-vos, o dizer-vos e não estranheis esta intranquilidade que em mim é natural, de estranhar seria que a não tivésseis pressentido. Sem memória estou porque só consigo saber tudo o que não me interessa saber e porque aquilo que mais urgente se me vai tornando saber me foge, não desespero, é inútil, seria inútil e eu sei-o e continuo à espera, até quando não sei, não sou de pedra, antes pedra ficasse e nada mais esperaria e estava traçada a história da minha existência. De resto não o queria, não o quero, prefiro-me sombra, vago, disperso, se é que vago e disperso sou mas pedra não sou, não, sei que não e prefiro-me não pedra, sei que nem sequer devo recear vir a ser pedra, são coisas que não se receiam porque nada há tão sem consequências, quer dizer, nenhuma história se cumpriria ou começaria a cumprir-se de modo tão certo. E seduzir-vos-ia, ter-vos-ia enganado com estas palavras a que nenhuma realidade daria sentido e não poderíeis sabê-lo.
Uma noite em que acordei no meu quarto e me apetecia andar de bicicleta. Levantei-me, saltei pela janela, fui dar uma volta. Estava a gostar. Chato é que fazia frio, estava um frio dos demónios, e eu em pijama ou em calções de banho. À praia é que eu ia, era ao fundo da rua logo ali, da minha janela não se via o mar mas ouvia-se, ou pelo menos lá dentro do meu quarto as paredes eram azuis e a gente pensava: o mar. Fui fui andando, ia-se por um caminho estreito ao fundo da minha rua, descia-se e depois era o mar, a areia antes do mar. No pequeno caminho estreito a seguir ao asfalto preto da minha rua o que havia era pedras, muitas pedras, aguçadas, angulosas, ou nem aguçadas nem angulosas, mas lá ao fundo, no fim do caminho estreito, era a areia e era o mar. Antes de chegar ao caminho estreito tive um furo, não foi bem um furo, rebentou o pneu, os vizinhos da frente vieram à janela e perguntaram: então o que é isso? .e eu. disse: não é nada. E eles: não é nada? E eu: não é nada. E eles: então pronto. E eu: está bem. Depois fui-me embora, aonde eu ia era à praia. Fiquei lá toda a noite e de manhã estava bem disposto, aliás já estava mesmo antes de ser de manhã, estava bem disposto, com outra coragem, com outra alegria, com outra força, disposto a não pensar mais nisso subi à cidade, isto é, à rua preta asfaltada onde estava a janela da minha casa. Ia comprar um relógio, agora que recuperara uma coragem antiga ia precisar muito de um relógio. Sentei-me lá dentro enquanto me acertavam o relógio e pedi uma coca-cola. Quis pagar eles disseram que não, que a casa se sentia responsável. Eu disse: de quê? E eles: de eu estar à espera. E eu: mas não faz mal, eu até é que. E eles: de maneira nenhuma. E eu não sei já se paguei a coca-cola ou como foi que a discussão terminou. Depois o relógio estava certo e saí, sobretudo muito contente por ter descoberto que gostava de coca-cola, mais um prazer, naquela manhã, não havia dúvida, estava a vida a correr-me bem. Sentia-me forte, alegre, seguro, dominador. Entretanto ia pensando nas mãos da rapariga que me trouxera a coca-cola : eram mãos lisas, magras, compridas, brancas, de dedos brancos lisos compridos, estreitando como a garrafa da coca-cola mas numa escala menor, pensei: se eu tivesse umas mãos assim havia de fazer coisas maravilhosas, as coisas mais maravilhosas; mas não tenho, paciência, para quê pensar nisso, tenho umas mãos, não basta ter umas mãos? Em minha casa no meu quarto lá na rua asfaltada tinha uma cama e muitos livros, para ler não, o que eu gostava o que eu gosto é de olhar para eles, de os ver na estante comprida alta alinhados, as cores diferentes as manchas de cores tornando a massa dos livros atraente. Por isso eu me sentava no chão, deixava naturalmente cair os braços ao lado do corpo e olhava: azul vermelho preto no branco. Uma noite a rapariga da coca-cola veio dormir comigo.


And so the story goes (Maria Montell) 

She's on the dusty road alone
Travelling, travelling, travelling alone
She loves to laugh, she loves to live, and she loves to love

She left her home and family
To find the thing she couldn't see
From the window in her house in the countryside

This small town girl needs to fly
To reach her dream in the sky
Ai yai yai

And so the story goes
Di da di  di da  di da  di da  di da  di da di
And so the story goes
Di da di  di da  di da  di da  di da  di da di

She came to town and went to stay
And found a reason there to stay
She saw the row of folks vanishing in the welfare lines

And then she made her way back home
Strolling, strolling, strolling alone
She hated some, she needed some, and she loved some

And so the story goes
Di da di  di da  di da  di da  di da  di da di
And so the story goes
Di da di  di da  di da  di da  di da  di da di

This small town girl needs to fly
To reach her dream in the sky
Ai yai yai

And so the story goes
Di da di  di da  di da  di da  di da  di da di
And so the story goes
Di da di  di da  di da  di da  di da  di da di
Di da di  di da  di da  di da  di da  di da di


João Camilo

Retrato breve de J. B. — excerto.3 (João Camilo)

Procurei-te pelas ruas, às esquinas fiquei estive parado manhãs dias inteiros e não passaste. Olhei as janelas à noite acesas, os corpos lá dentro dando-me sombras, e não eras nunca tu, ter-te-ia reconhecido. Entretanto a guerra era lá longe no outro extremo da cidade e apenas os tiros, o gargalhar das metralhadoras me dizia a guerra essa verdade dentro ainda da cidade. E eu sempre à margem da guerra, eu à margem da guerra olhando as casas, parado dias à esquina das ruas, olhando as pessoas, procurando-te. Encontrei-te? Não sei ainda mas nos primeiros tempos não. Às vezes acreditava, às vezes estremecia vendo-te ao longe, cruzando uma outra rua, fechando longe de mim uma janela. Mas serias tu? Porque eu gritava e não respondias. Não, no princípio pelo menos não te encontrei. Depois decidi, lembro-me, alugar um quarto perto da extremidade da cidade, lá onde se desenrolava a guerra — e continuava à margem da guerra mas mais perto da guerra, ouvindo-Ihe mais a voz, sentindo-lhe já a voz. E se aluguei um quarto perto da guerra não foi por amor da guerra mas por amor de ti. Ou, sei lá, por amor do quarto, porque eu tinha já saudades de um quarto.
Só no meu quarto chegava à noite à janela e olhava o mar e tu nunca estavas no mar. Por isso talvez, porque mesmo depois de ter alugado um quarto não te encontrava, é que devo ter começado a desesperar. Pois entretanto eu passava os dias dentro do meu quarto e as noites e sentado no chão olhava as paredes ou vinha à janela e olhava lá longe as montanhas e ali só, sempre só, sem sequer os meus livros, comecei a desesperar. Pois a quem faria, de quem teria o filho que tanta falta me fazia? Se não vinhas a quem o faria, de quem teria o meu filho necessário, o filho necessário à minha solidão dentro de um quarto? Com ele tudo seria mais fácil, iríamos à janela os dois e olharíamos o mar, sentar-nos-íamos no chão e olharíamos um para o outro, esperaríamos por ti, mãe. Mas não regressavas e nem sequer tinha o filho teu para poder esperar-te melhor. Talvez por isso comecei a desesperar. Não me recordo bem de todo esse tempo, desses anos de espera ali dentro. Devo ter voltado uma vez por outra pela noite à minha tenda que continuava vazia — não tinhas regressado. Mas não importa se o fiz se o sonhei ali na minha cama grande onde te sonhava. Não importa, tudo foi inútil, tu não vinhas. Comecei a pensar se deverias vir por que deverias vir. O esperar-te o saber-te única talvez não bastasse para ter a certeza do teu, regresso. Não sei se deixei de esperar-te se desesperei esperando-te. Chorei bastante nesses anos, tudo o que era preciso ou o que me parecera que era preciso, chorei ou não chorei mas apeteceu-me chorar. E não vinhas. A meu lado o filho que não tinha e continuava a desejar, devo tê-Io amado tanto como o desejo do teu regresso. O filho que não tinha pois como, se não vieste nunca? Se ele estivesse poderia pensar que tinhas estado ali comigo e apenas tinhas partido de novo. Assim, porém, devo ter-te esquecido. De qualquer modo um dia decidi regressar, paguei o quarto, saí, e foi então, quando já me esquecera ou desabituara de esperar, que te encontrei à esquina de uma rua, ia falar-te desapareceste, chamei-te sorriste, disse-te: vem comigo, anda, vem comigo, disseste: tenho o meu marido os meus filhos, eu disse: que importa?, tu disseste: importa nada ou importa tudo, importa, eu disse: isso não é resposta que se dê, e tu então: vá vai deixa-me tenho medo, e eu ainda: porquê medo? não terás medo, e ela: não posso não consigo não sou capaz e tenho medo adeus adeus adeus, e eu chamando ainda por ti por ela e ela afastando-se nem sequer olhando para trás.
Perdi-me na rua naquela quinta-feira à tarde, não sei bem como, não me lembro senão disto: perdi-me na rua, comecei a andar pelas ruas que não conhecia, toda a noite andei, de manhã acordei na minha,
tenda, onde eu julgava que era a minha tenda mas não era, acordei ali cansado, gasto, parecia regressar de uma guerra e talvez fosse verdade, devia ser, eu regressava da guerra embora não tivesse deixado de estar à margem da guerra.


I will find you (Clannad)

Hope is your survival
A captive path I lead
No matter where you go
I will find you
If it takes a long long time
No matter where you go
I will find you
If it takes a thousand years

(Mohican)
Nachgochema
Anetaha
Anachemowagan

No matter where you go
I will find you
In the place with no frontiers
No matter where you go
I will find you
If it takes a thousand years

(Cherokee)
Hale wú yu ga I sv
Do na dio sv I
Wi ja lo sv
Ha le wú yu
Do na dlo sv

No matter where you go
I will find you
If it takes a long long time
No matter where you go
I will find you
If it takes a thousand years
No matter where you go
I will find you
In the place with no frontiers
No matter where you go
I will find you
If it takes a thousand years
No matter where you go
I will find you


Retrato breve de J. B. — excerto.4 (João Camilo)

Não sei se praia era o que me apetecia mas dei dois passos a rua era enorme não tinha fim não vi o fim mas dei dois passos e estava deitado na areia ao fundo a areia era mais escura húmida mole fui e vi os pés enterraram-se-me na areia, mole e húmida e mais escura por isso vi e digo e depois era a água do mar e eu ali deitado na areia seca e quente macia e quente fina e quente queimando-me as costas eu ali deitado via o sol ou antes o sol cegava-me os olhos mas não o via e depois lá adiante era o mar pus a mão como pala sobre os olhos e vi que era o mar portanto ali era a praia e eu ali era na praia que estava não me lembrava de mais nem me apeteceu lembrar-me de mais a areia quente era macia e queimava-me as costas lentamente suave me queimava as costas depois virei as costas ao sol a areia começou a queimar-me a barriga os olhos o rosto os lábios as pernas depois virei a barriga ao sol e a areia de novo queimando as minhas costas e assim sempre todo o tempo estava-se bem ali não tinha memória eu de outro tempo como aquele no entanto não sei se era cansado que estava ou se foi o mar ao longe que me apeteceu e fui-me dentro dele e molhei os pés e as pernas o corpo todo das pernas para cima custou um pouco mais estava fria a água ou foi porque eu vinha da areia quente ardendo e a achei fria mas das pernas para cima eu sabia que era mais difícil por isso deixei de ter medo ou continuei tendo medo mas foi correndo que me meti na água fria foi correndo que me meti no mar e nadei nadei e corri no mar e voei no mar e dormi no mar e de costas para o mar olhei o sol agora os olhos húmidos era outro sol estava-se bem ali creio que estava lembro-me ou se não me lembro é o mesmo.

Depois à tarde abri a janela do meu quarto e saltei. Do rés-do-chão para a rua. Livre. Livre das paredes. Havia as casas na rua. Corro a rua na rua é o deserto. Liberto-me dos muros das casas. Só não das cores das formas. Caminhar no deserto, a areia é quente e amarela, procura-se o espaço sem cor onde nem árvores nem temperatura, nada para além da cor do nosso ser, se o nosso ser tem cor. Divago. Crio o espaço nenhum — criaria. Crio o tempo nenhum — não sinto que envelheço. Crio a cor nenhuma — dentro de mim a cor dilui-se na falta de memória. A temperatura nenhuma — abstraio desses acidentes. Sobretudo divago e não me importo. Indiferente, mas muito mais do que isso e muito menos do que isso. No grau zero da escala, nem acima nem abaixo. Devia acabar aqui. Começar aqui, na verdade. Porque onde se acaba começa-se, onde se começa acaba-se, deixo no presente do indicativo mas outros tempos e modos são de admitir, não exemplifico, não me apetece, perceberam já. Acabarei portanto ou começarei. No princípio está o fim e no fim está o princípio. Se não estão poderiam estar. Tudo hipóteses e não digo hipóteses de alguma coisa. Eu deveria por exemplo ter começado por precisar sobre os termos: dizer digo disse direi, etc. A culpa de as coisas se terem passado como se passaram, irremediavelmente, deve ser daquela voz de uma tarde ou de uma noite, daquela voz ou daquelas vozes sussurrando nos meus ouvidos, deslizando, entrando pelos meus olhos. Não exactamente a culpa mas o motivo. Nem o motivo, talvez o princípio.


From the beginning (Emerson, Lake & Palmer)

There might have been things I missed
But don't be unkind
It don't mean I'm blind
Perhaps there's a thing or two 

I think of lying in bed
I shouldn't have said
But there it is 

You see it's all clear
You were meant to be here
From the beginning 

Maybe I might have changed
And not been so cruel
Not been such a fool
Whatever was done is done
I just can't recall
It doesn't matter at all 

You see it's all clear
You were meant to be here
From the beginning


E depois de repente recomeço a andar, a rua à minha frente é larga e comprida, cinzentas as casas nas margens da rua, entro num café e sento-me, põem-me na rua. Vou, continuo, a rua é larga e comprida, entro noutro café, de novo põem-me na rua. Penso: o que é que eu tenho ou não tenho? e continuo a andar. Começa a faltar-me a coragem para sair da rua, ou não me interessa muito sair da rua, não faço ideia, entro num café, sento-me, tomo café. Sinto-me mal, apetece-me mijar, volto à rua. Nunca devia ter saído da rua, já devia saber que sempre que saio me acontecem coisas desagradáveis. No entanto entrei naquela rua ainda em mais cinquenta cafés e se não me punham na rua era eu que me ia embora.


Música:

Genérico
Davy Spillane (abertura e fecho), Beatles (Fecho)

Fundos
Rhonda Lorence

Ligações
Prefab Sprout, Maria Montell, Clannad, Emmerson, Lake and Palmer

Textos:
João Camilo

Edição e voz:
José-António Moreira


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And in the end

the love you'll take

is equal to the love you make

© José-António Moreira 2012