Sons da Escrita 124

20 de Julho de 2007

Segundo programa do ciclo Luísa Ribeiro

Compasso a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da escrita.

Quando um homem interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens entre o quase tudo e o quase nada.

Então, da raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no silêncio dos sons da escrita.

Sons da Escrita – à volta de uma ideia de José-António Moreira.


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Luísa Ribeiro

Acordo em Cuba (Luísa Ribeiro)

Acordo em Cuba, em Nápoles, no Afeganistão
ou em ti — superfícies de desconhecido
desejo terrestre.

Na fresta verde da janela descubro
um azul para dar ao céu afasto
lençóis lenços lágrimas
e prometo abrir o corpo
ao dia a ti ao chá de hortelã
numa esplanada de Ceuta.

A meio da noite ou a meio do dia o sol
é sempre o mesmo quando se trata de acordar
em ti no Afeganistão
ou em Cuba.


Wake up sunshine (Chicago Transit Authority) 

Wake up sunshine
Open up your sleepy eyes for me
Can't have you hidin'
I've been waiting all the night
People waiting for the light
Sunshine, sunshine
Wake up sunshine
Let me feel your warm sunlight on me
Can't have you hidin'
Night was long and night was cold
But today we're one day older
Sunshine, you make my life sunshine
You know I'm talkin' to you
I know you're knowin' it too
So just stop hidin' your face
Just open your eyes
Just smile your smile
I'm talkin' to you
Wake up sunshine
Ooh it's good to have you here with me
Can't have you hidin'
Can't imagine what I'd do
But feel too lonely without you
Sunshine, sunshine
You got to wake up girl
And face the day ahead


Luísa Ribeiro

Ao sair dos teus olhos (Luísa Ribeiro)

Ao sair dos teus olhos cresço
no verde jardim amoleço um sorriso
às ciganas da esquina acrescento-me
ao silêncio para recordar
a sombra dos teus braços

e nasce uma alegria inesperada uma noite
semelhante às rosas um continente
onde me inclino


Then I close my eyes (David Gilmour)

(Instrumental)


Luísa Ribeiro

Levas a colher à boca (Luísa Ribeiro)

Levas a colher à boca
eu acompanho o voo do gesto
imagino-me a caminho:
passo por dentro de ti
e fico

depois resta-te creme de chocolate:
passo os lábios onde passaste os lábios
já castanhos
e é o voo ao contrário.

desta vez passas tu por mim
e ficas


Let me here in (George Harrison)

Let me in here, I know I've been here
Let me into your heart
Let me know you, let me show you
Let me roll it to you

All I have is yours
All you see is mine
And I'm glad to hold you in my arms
I'd have you anytime

Let me say it, let me play it
Let me lay it on you
Let me know you, let me show you
Let me grow upon you

All I have is yours
All you see is mine
And I'm glad to hold you in my arms
I'd have you anytime

Let me in here, I know I've been here
Let me into your heart


Não agites mais calor
ele respinga sangue perfumado
e os abetos murcham

não agites mais as rosas estão queimadas
junto ao soluço dos gatos e o sangue
espalha um alvoroço de galos


Música:

Genérico
Davy Spillane (abertura e fecho), Beatles (Fecho)

Fundos
Ira Stein, Tim Story, David Arkenstone

Ligações
Chicago Transit Authority, David Gilmour, George Harrison

Textos:
Luís Filipe Castro Mendes

Edição e voz:
José-António Moreira


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And in the end

the love you'll take

is equal to the love you make

© José-António Moreira 2012