Sons da Escrita 318

1 de Janeiro de 2011

Terceiro programa do ciclo Miguel Torga

Compasso a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da escrita.

Quando um homem interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens entre o quase tudo e o quase nada.

Então, da raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no silêncio dos sons da escrita.

Sons da Escrita – à volta de uma ideia de José-António Moreira.


•••

MiguelTorga

Encontro

Quando o galo cantou na escuridão
Como um claro rumor que afasta o medo,
É que ele viu que chegara a ocasião
E que findara enfim o seu degredo.

Fosse qual fosse o dedo
Que lhe apontava a vida, era de mão
Que conhecia o mágico segredo
De negar e rasgar a solidão.

- Mundo! - disse ele então. - Mundo de todos!
Mundo de estrelas, de ilusões, de lodos,
Onde nada é sozinho nem disperso:

Mundo! Sou eu aquela voz perdida,
Que vem juntar-se a ti, arrependida,
Trazendo a humana gratidão de um verso.


Lovely to see you (Moody Blues)

A wonderful day for passing my way.
Knock and my door and even the score
With your eyes.

Lovely to see you again my friend.
Walk along with me to the next bend.

Dark cloud of fear is blowing away.
Now that you're hear, you're going to stay
'cause it's

Lovely to see you again my friend.
Walk along with me to the next bend.

Tells us what you've seen in faraway forgotten lands.
Where empires have turned back to sand.

Wonderful day for passing my way.
Knock and my door and even the score
With your eyes.

Lovely to see you again my friend.
Walk along with me to the next bend.


MiguelTorga

Amor

Dorme a vida a meu lado, mas eu velo.
(Alguém há-de guardar este tesoiro!)
E, como dorme, afago-lhe o cabelo,
Que mesmo adormecido é fino e loiro.

Só eu sinto bater-lhe o coração,
Vejo que sonha, que sorri, que vive;
Só eu tenho por ela esta paixão
Como nunca hei-de ter e nunca tive.

E logo talvez já nem reconheça
Quem zelou esta flor do seu cansaço ...
Mas que o dia amanheça
E cubra de poesia o seu regaço!


We love us (Association)

I wake her
I hold her
I tell her
I love her
And she smiles and says the same
She makes me feel like sunshine
when she says my name

Her laughing
Her crying
Her caring
Her sharing
Of my life means more to me
Than all the wealth and fame
that fortune brings to me

Turn your head around
Are you sure love's the feeling that surrounds you?
Does the question count when you feel good
As good inside as I do, do you?

The sun sets
The gulls fly
We love us
She and I


MiguelTorga

Silêncio

É silêncio que pedes,
E é silêncio que peço.
Mas o poema é o som dos leves passos
De uma aventura.
Se nada ouves,
Se nada ouço,
É que não há poesia.
E, então,
Ai de nós
E da nossa harmonia!


Silence is golden (Tremeloes)

Oh,
don't it hurt deep inside
To see someone do something to her
Oh,
don't it pain to see someone cry

Oh, especially when someone is her.

Silence is golden...
but my eyes still see.

Silence is golden, golden.
But my eyes still see.

Talkin' is cheap
People follow like sheep.
Even tho' there is nowhere to go
How could she tell, he deceived her so well

Pity she'll be the last one to know.

Silence is golden ...
but my eyes still see

Silence is golden, golden,
but my eyes still see

How many times did she fall for his line?
Should I tell her or should I keep cool
and if I tried I know she'll say I lied
Mind your business
don't hurt her you fool.

Silence is golden...
but my eyes' still see.

Silence is golden,
golden.
But my eyes' still see.
But my eyes' still see.
But my eyes' still see.


Vem, poesia, vem como vieste
No virginal começo doutras eras!
Vem amansar as feras.
Alegrar o cipreste,
E cobrir de ridentes primaveras
Este cimento que ninguém reveste!


Música:

Genérico
Davy Spillane (abertura e fecho), Beatles (Fecho)

Fundos
Air, Devakant, Sky

Ligações
Moody Blues, Association, Tremeloes

Textos:
Miguel Torga

Edição e voz:
José-António Moreira


•••|•••|•••


And in the end

the love you'll take

is equal to the love you make

© José-António Moreira 2012