AbelNeves

Abel Neves
Dispõem os rios


Dispõem os rios

Dispõem os rios 
de um silêncio argênteo     lunar


Dentro 
há leitos repousantes     violentos 
e uma água 
que só vidoeiros tocam 


Dos vidoeiros sabe-se o branco
gosta-se a seiva 


E nessa seiva 
ponho a boca     devagar 
para o silêncio dos rios


Há uma lenda 
que entra nesta luz 
a dos animais refugiados 


Há também as sombras
e a lenda reduz-se ao pó
à terra dos animais 

Não haverá espanto 
tão breve é a nossa passagem 
sobre os ramos     fáceis     da memória


© José-António Moreira 2012