RamosRosa

António Ramos Rosa
Passagem


Passagem

É onde escuto, agora, a própria casa.

Sou eu que escrevo este poema.

Já onde estou, agora, nada espero.

Ouço o som que vem de estar aqui lembrando,

Isto que sou, agora mesmo, esperando.


É onde eu pouso a mão na terra calma,

Ouvindo quantos anos já vivi,

Mas não aqui nem além, agora, só

Num tempo em que não sou mais que este estar,

Passando sem passar neste deserto.


É onde agora ninguém me vem chamar

e uma outra luta prossegue imponderável.

O tempo vai chegar, mas eu aqui passei

Ou algo em mim passou, quando o final chegar,

Deste sem fim que escuto e sou no seu passar.


© José-António Moreira 2012