RamosRosa

António Ramos Rosa
Da grande página aberta do teu corpo


Da grande página aberta do teu corpo

Da grande página aberta do teu corpo

sai um sol verde,

um olhar nu no silêncio de metal,

uma nódoa no teu peito de água clara.


Pela janela vejo a pequenina mão

de um insecto escuro

percorrer a madeira do momento intacto;

meus braços agitam-te como uma bandeira em brasa,

ó favos de sol.


Da grande página aberta

sai a água de um chão vermelho e doce,

saem os lábios de laranja beijo a beijo,

o grande sismo do silêncio

em que soberba cais vencida flor.


© José-António Moreira 2012