Bocage1

Bocage
Segundo retrato


Segundo retrato

De cerúleo gabão não bem coberto,

Passeia em Santarém chuchado moço,

Mantido às vezes de sucinto almoço,

De ceia casual, jantar incerto;


Dos esburgados peitos quase aberto,

Versos impinge por miúdo e grosso.

E do que em frase vil chamam caroço,

Se o quer, é vox clamantis in deserto.


Pede às moças ternura, e dão-lhe motes!

Que tendo um coração como estalage,

Vão nele acomodando a mil pexotes.


Sabes, leitor, quem sofre tanto ultraje,

Cercado de um tropel de franchinotes?

É o autor do soneto: é o Bocage!


© José-António Moreira 2012