JoséRibeiroMarto

José Ribeiro Marto
Instantes


Instantes

Que o instante seja água, 

gota de sol declinada nas mãos.

Que o brilho se desfaça em nó solto  num castelo de frutos, no longe sôfrego.


Todas as árvores são a minha solidão, 

O meu duelo de passeios,

A grande sombra de um céu quebrado a meio,

Eu passo pelo sonho no declive, 

pelos pássaros perdidos augurando água,

todos vêm aos meus ombros pousar, são de vento, 

Desfazem-se das ramadas, 

colhem a finitude do tempo. 

Eu sonho muito além, onde o sangue pulsa ainda o coração do sol 

E as minhas mãos de solidão defesa, estão lavadas.


© José-António Moreira 2012