OtiliaMartel

Otília Martel
A invenção do amor


A invenção do amor

Há no mel da tua língua uma passagem secreta para os meus prazeres.

Na ponta do meu seio, o secreto desejo penetra os meus poros e lentamente percorre as tuas costas, sentindo o pulsar da tua pele que, em êxtase, solta um frémito sussurro, enquanto as tuas mãos cegas procuram o meu corpo, que desliza como ondas bravias no teu. Assim nos sentimos.

Assim nos entregamos na invenção do amor…

Há, no ardor do teu corpo, a ferocidade do mar, quando arranhas a minha pele e os teus lábios, entre palavras inaudíveis de sussurros, a boca do meu corpo vêm beijar.

Soltam-se fúrias de desejo há muito quietas de prazer e no êxtase do momento, não há palavras por dizer.

Envoltos na seda da carícia que de nós escorre, a maciez das minhas coxas que te envolvem, roçam o teu corpo num último ímpeto e, sôfregos, deixamo-nos embalar no desejo que o corpo não domina — a paixão ali sente-se e predomina —

Assim nos entregamos, de novo, na invenção do amor…


© José-António Moreira 2012