PaulCelan

Paul Celan
Quando a distante


Quando a distante

Quando a distante

prata, rondada

também pelo voo dos homens, sem

chegar entrava,

redonda,

e nos olhava com olhos de olhar:


então

a palavra dor era uma taça de onde

subia ao nosso encontro a palavra

alegria — subia,

subia e passava por nós, subia

até nós dois, sob

o telhado,

até à cama onde a noite,

mestra

dos nossos corpos, esperava silenciosa, o seu

fundo, negro como o coração, cheio

da manhã.


© José-António Moreira 2012