VirginiaCarmo

Virgínia do Carmo
Do fim dos meus dias


Do fim dos meus dias

Do fim dos meus dias

Vê-se um tecto Branco

E inerte Que me dá silêncio

E mais silêncio Tanto que me escorre

Dos olhos Por já não me caber

No peito…

Do fim dos meus dias Vê-se o deserto

Que me sobra Dos gestos

- Como quem morre Nos restos

De um leito Seco…


Solidão triste

A que me chega

Das entranhas

Deste vazio

Onde se me cai

A vontade,

Abatida,

De palavras

Em riste

- Campo tardio

De armas sepultadas

- Lume profundo

De chamas inúteis

…Apagadas…


© José-António Moreira 2012